RÉQUIEM No. ÚNICO: VALSA DO ADEUS
Eis aqui o nosso funeral
Sem flores, sem lágrimas, sem mágoas. Eu acho...
Aqui jaz, num repouso em desconforto, todo o meu amor.
Esparramado em palavras, o vazio final em poema.
Com gosto de conhaque amanhecido, vinho avinagrado,
cheiro de nicotina. Cigarros não fumados.
Eis aqui a celebração do adeus no descompasso dos dias.
Todos os dias. É isso.
Tudo aqui é um adeus permanente, da primeira a última palavra.
Escritas a sangue. Escritas a sêmen.
Pelo gozo não gozado. Coito interrompido. Como vinil riscado
Como solos de guitarra cortando os miolos pra despertar da demência
Estado letárgico da indiferença revelada na distancia traída pela saudade.
Bandeneon embalando na madrugada o meu espírito aleijado
Cutucando a alma pra não deixar a dor dormir com a memória
Pra não ir embora com o sono tardio que chega.
Eis aqui o nosso funeral...
(Régis Trovão)



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