A MORTE DOS DIAS
Easy Riders de feriado. Crianças entorpecidas.
Pais viciados e mães enlouquecidas
O macho do alteres brocha com o espelho quebrado
A menina da esquina não estará lá amanhã
Tá tudo virado. Tá tudo com gosto de amanhecido
Quem tá acordado sonha
Quem tem sono não tem dormido
Eu não sei de nada. Vou aprendendo.
Vou caindo. Vou correndo
Vou indo... Apenas
Com a tv sem som na sala
Com a nicotina que me enverniza a fala
Com o conhaque que me afina os graves
Com a vida de cabeça pra baixo igual a um blues antigo
E assim vou indo. Vou correndo
Vou vivendo como os dias. Morrendo aos poucos
Com aquela sensação de despedida entalada na garganta
Um gosto seco de “já era” na boca
Um ir embora permanente. Um ir embora constante
É a vida indo. Sem adeus ou um até mais.
Régis Trovão


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