Notas do Trovão


29/03/2006


A MORTE DOS DIAS

 

 

Easy Riders de feriado. Crianças entorpecidas.

Pais viciados e mães enlouquecidas

O macho do alteres brocha com o espelho quebrado

A menina da esquina não estará lá amanhã

Tá tudo virado. Tá tudo com gosto de amanhecido

 

Quem tá acordado sonha

Quem tem sono não tem dormido

Eu não sei de nada. Vou aprendendo.

Vou caindo. Vou correndo

Vou indo... Apenas

Com a tv sem som na sala

Com a nicotina que me enverniza a fala

Com o conhaque que me afina os graves

Com a vida de cabeça pra baixo igual a um blues antigo

E assim vou indo. Vou correndo

Vou vivendo como os dias. Morrendo aos poucos

Com aquela sensação de despedida entalada na garganta

Um gosto seco de “já era” na boca

Um ir embora permanente. Um ir embora constante

É a vida indo. Sem adeus ou um até mais.

 

 

Régis Trovão

 

Escrito por Régis às 4:06 PM
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27/03/2006


PRA RASGAR A BULA E PULAR DA CAMA

(ouvindo no talo e no repeat, “Heart In A Cage”, STROKES)

 

Eu tenho pressa. Não sou nada paciente. Tenho urgência de que as coisas aconteçam. Uma urgência necessária e nada esporádica. Caminhar entre um braço estendido e uma espada imaginária no pescoço*  com pouca ou quase nenhuma habilidade. Eu tenho uma febre de 1000 graus. Um calor intenso e uma disposição imensa de fazer uma porrada de coisas. Fazer o que precisa ser feito. Apenas isso. Pra minha sobrevivência com um certo estado de leveza. Pra quando o dia nascer o meu espírito não acorde já atormentado.

 

Apenas uma ressalva: A minha convivência (nada temporária) com a loucura e a lucidez (lucidez?) eleva os meus sentidos a condição mais alta de resistência e destemor. Sem nenhuma presunção. Mas isso não pode ser ignorado. Pelo menos nisso eu acredito.

 

* Ouvi essa, como uma mantra a madrugada inteira, do nosso velho rock star, Paulo de Tarso Picanha.

Escrito por Régis às 5:20 PM
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