11/04/2006
EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO
ENQUANTO O CIRCO PEGA FOGO
Depois de uma certa idade não dá mais pra se auto-boicotar, muito menos abraçar certos enganos. Mesmo continuando se mantendo um “eterno adolescentão” (como vivo ouvindo isso) chega uma hora que nego precisa desvirginar a aurora dos sonhos distantes ou parar de punhetar projetos escondido no véu da noite sob luzes artificiais. Papo de bar, devo dizer. Meia foda, pra ser mais exato. Depois de uma certa idade ficamos mais intolerantes e mais impacientes, com a gente mesmo e com os outros. Da minha parte, estou em busca mesmo, ainda, é do lado B da vida. Em busca de uma tranqüilidade, porque não dizer, ora esquizofrênica, ora suicida, mas tranqüilidade de estar fazendo a coisa certa, e o resto que se foda. Assim do meu jeito, da forma como eu entendo e enxergo “estar tranqüilo”, com ursos adormecidos e furacões apaziguados. Só isso. E por mais que eu não consiga, talvez até por não buscar tanto, não quero sempre varar as noites em claro sobre o fio de uma espada amolada nem amanhecer deitado sobre cacos de vidros. Não mais depois de uma certa idade. Continuo ouvindo trovões trovejarem nos meus ouvidos já não tão moucos (é a idade), vejo/sinto clarões reluzirem dentro dessa carcaça magra e arquejante pelos excessos...todos. São clarões inconstantes que permeiam blackouts permanentes e intermináveis que cobram um preço alto por assim existirem. EU SOU ASSIM: Inconstante. Volúvel. Sincero.
Trovões. Clarões. Blackouts. Espadas amoladas. Cacos de vidro. E eu não consigo dormir o sono dos justos que eu mereço. Ah, o sono dos justos. E enquanto isso a companheira indesejada continua me consumindo por dentro. Minha professora primária lá no sertão cearense iria dizer que "a sua flora intestinal não está nada bem”, eu digo mesmo é que o meu estômago está bem fudido. Mas porque eu discorro agora sobre esse assunto. Ah, é pra dizer que eu constatei que vou morrer cedo. Bem cedo. E isso nao é nenhuma “profecia”, desejo inconsciente ou glamour de outsider suicida. Não sou nada disso. Nem profeta, nem glamouroso, nem outsider, nem suicida. Digo isso apenas porque é um fato. Qualquer dia desses eu acordo com uma puta de uma hemorragia e pronto. Acabou. Mas hoje eu fico apenas mais velho. Faço 35 anos. Brindo a mim mesmo ao som de "All Along The Watchtower", de Bob Dylan na voz e guitarra de Jimi Hendrix.
Escrito por Régis às 3:36 PM
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