Notas do Trovão


14/11/2006


 

A FALÊNCIA DAS VIRTUDES

                  ou

COMO ME TORNEI O QUE SOU AGORA

                                             

 

                                      Parte II

 

Em momentos como esse, em que faça chuva ou faça sol, tudo parece igual, o calor não aquece, o frio não esfria, tudo parece meio sem açúcar, meio sem sal, eu me escondo do mundo em qualquer pé-sujo vagabundo, tomo whiskye barato em copo americano, rabisco poesia em pedaço de guardanapo usado, penso em todas as prostitutas que eu já me apaixonei e em todas as peças que eu não fiz, penso na minha casa, penso nos meus livros, nos meus discos, na minha cama, penso na mulher de verdade que me espera, penso no meu mundo, e o quanto é bom voltar pra casa. Como é bom ter pra onde voltar, sempre. E se eu chegar em casa assim, meio cheio, até a tampa, ou meio raso, ponho o som no talo, Diamanda Gala no gargalo até os vizinhos acordarem. Abro uma cerveja, acendo um cigarro, abro outra, três, quatro cervejas, acendo mais um cigarro, acordo a musa que dorme ao lado, que samba porra nenhuma, fazemos é amor a qualquer hora. Desculpe os incomodados, mas eu gosto do meu estilo de vida, eu gosto dos meus amigos, eu gosto da minha mulher, todo mundo no meu prédio me conhece, na Praça Roosevelt e em Quixeramobim também, como fama isso já me basta, o resto é guerrilha, e se eu não tiver calibre pra fazer guerrilha com a minha arte, vou ao menos fazer poesia pro porteiro do meu prédio que me ouve sempre com atenção mesmo quando eu vou contar pela enésima vez a mesma história bêbada, uma bobagem qualquer. Esse é um grande cara. “Acendi a luz”, ele me disse uma vez, quando falávamos do fato dele agora estar estudando. O cara já sabe ler e escrever. Isso é foda, é um mundo novo que se desnuda pra alguém que vivia na semi-escuridão, e isso pra mim tem mais importância que o acústico do Lenine ou o casamento da Wanessa Camargo, é, vai casar sim, saiu na “Bolha de São Paulo”.  Simples, buscar o simples é preciso. Eu já achei que fui longe demais pr’um matuto do sertão cearense, mas como disse o Lirinha, “o espetáculo não pode parar, quando a dor se aproxima, fazendo eu perder a calma, passo uma esponja de rima nos ferimentos da alma. O espetáculo não pode parar”. Há vãos e corredores na mais completa escuridão. Acender as luzes é preciso. Curar as lástimas do tempo também.

O tempo é veloz e não espera por nós,

o tempo é velos e não espera por nós,

O tempo é veloz e não espora por nós...

 

 

Escrito por Régis às 8:25 PM
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13/11/2006


 

Longa vida a esse tal de youtube.

Salve Cazuza, salve Nelson Cavaquinho.

 

Video com Cazuza cantando Luz Negra de Nelson Cavaquinho.

Triste, mas sublime, ou algo bem próximo disso.

 

http://www.youtube.com/watch?v=m-U5kkBOc98

Escrito por Régis às 6:03 PM
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