Notas do Trovão


19/01/2007


E ASSIM A NAVE VAI

 

 

Tim, Tim! Vamos brindar.

Brindemos à esperança reduzida a pó, já pra começar.

Celebremos a cultura da mediocridade,

a cultura de um deus Só.

Brindemos essa grana que não temos,

brindemos à grana americana.

Brindemos o american way of life, 

money, money, money,

More and more, more money,

até não poder sair mais de casa.

 

Brindemos a sensibilidade sob tortura e a “arte” que falece

Brindemos à falta de solidariedade nossa

e a fossa que virou essa cidade

Brindemos o amor ao próximo que padece e parece não ter cura

Brindemos à agonia nossa que nasce sob a nossa cor escura

Brindemos à escuridão dos dias e a imersão nossa nas noites de procura

 

Brindemos ao império do riso sem graça,

 da fome e da dor,

Brindemos a todos os romances condenados à vala fria do fracasso

Brindemos ao sexo sem amor.

Brindemos as mulheres virgens de afeto,

Aos homens com vertigem do ser humano, demasiado humano

Brindemos ao tesão sem paixão,

ao sexo sem proteção

Brindemos à destruição humana,

brindemos então...

 

...À esse fast food de sentimentos

À insônia dos justos e a justiça dos homens também

Brindemos o sono tranqüilo dos nossos algozes, brindemos o riso fácil 

Brindemos à saude que não mais temos

e a saudade que já sentimos de quem ainda está por perto

Brindemos aos prozacs, aos valiuns e a tudo que não vale mais nada.

Brindemos à morte, a unica certeza de quem vive

Brindemos o final dos tempos, o terror de quem ama.

O mundo está louco, tá todo mudo ficando louco e parece que só alguns viram.

 

 

(Régis Trovão)

Escrito por Régis às 11:41 AM
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