E ASSIM A NAVE VAI
Tim, Tim! Vamos brindar.
Brindemos à esperança reduzida a pó, já pra começar.
Celebremos a cultura da mediocridade,
a cultura de um deus Só.
Brindemos essa grana que não temos,
brindemos à grana americana.
Brindemos o american way of life,
money, money, money,
More and more, more money,
até não poder sair mais de casa.
Brindemos a sensibilidade sob tortura e a “arte” que falece
Brindemos à falta de solidariedade nossa
e a fossa que virou essa cidade
Brindemos o amor ao próximo que padece e parece não ter cura
Brindemos à agonia nossa que nasce sob a nossa cor escura
Brindemos à escuridão dos dias e a imersão nossa nas noites de procura
Brindemos ao império do riso sem graça,
da fome e da dor,
Brindemos a todos os romances condenados à vala fria do fracasso
Brindemos ao sexo sem amor.
Brindemos as mulheres virgens de afeto,
Aos homens com vertigem do ser humano, demasiado humano
Brindemos ao tesão sem paixão,
ao sexo sem proteção
Brindemos à destruição humana,
brindemos então...
...À esse fast food de sentimentos
À insônia dos justos e a justiça dos homens também
Brindemos o sono tranqüilo dos nossos algozes, brindemos o riso fácil
Brindemos à saude que não mais temos
e a saudade que já sentimos de quem ainda está por perto
Brindemos aos prozacs, aos valiuns e a tudo que não vale mais nada.
Brindemos à morte, a unica certeza de quem vive
Brindemos o final dos tempos, o terror de quem ama.
O mundo está louco, tá todo mudo ficando louco e parece que só alguns viram.


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