Notas do Trovão


14/02/2007


 

A FURIA DOS DESCONTENTES  E O SILÊNCIO DOS RESIGNADOS

 

Quando foi que perdemos a inocência? Quando foi que EU perdi a minha inocência e não vi ir embora sorrateiramente as minhas poucas virtudes? Ao lançar os dados os fatos revelam sem nenhuma discrição que eu tô perdendo o jogo, sinto que tô perdendo o jogo, e agora me vejo preso no vão escuro das coisas sem importância, enquanto minha tagarelice constante disfarça a minha fúria. Ri sem porque, falar sem ter nada a dizer. Tem gente especial demais pra ser ignorada. Isso é um fato. Eu tenho saudade de acontecimentos, e temo por isso, que talvez nunca mais acontecerão, e só me resta, antes de qualquer coisa, resgatar o que está no limbo, mas está vivo, mesmo alquebrado. Eu quero descobrir tudo de novo, mesmo que o olhar e a percepção não sejam mais os mesmos, EU QUERO DE VOLTA TUDO AQUILO QUE A MINHA PRESUNÇÃO E O MEU EGOISMO BEM DISFARÇADO NEGLIGENCIARAM NOS MOMENTOS IMPRECINDÍVEIS. Porque é preciso resgatar um monte de coisas que não estão nos bolsos do velho casaco de couro, nem sob a poeira fina dos móveis, nem no fundo daquela gaveta onde só tem cartas não respondidas e contas não pagas, muito menos entre as páginas amareladas de algum livro esquecido na última prateleira da estante que há muito tempo não arrumamos. E entre a indisposição revelada nos gestos "indelicados" e a vontade ofuscada pelo meu jeito relapso de tratar as coisas que só eu julgo desimportante, está a necessidade de fazer contornos difíceis de serem explicados aqui, para enfim chegar a botija desaparecida sob conflitos inúteis e alguma indiferença, minha, devo admitir. Tudo para que depois possamos pôr na frente dos bois, não os carros, desgovernados como agora, mas as nossas gargalhadas, afinadas como eram antes. Como sempre foram. 

 

Eu só sei que no fim da festa, na contagem final dos corpos no chão e dos copos sujos sobre a mesa, só restam mesmo os grandes. E ser grande é difícil pra caralho. Mas é isso aí, ta tudo certo, as coisas fáceis que fiquem para os medíocres. Nunca fui um cara bossa-nova-cuca-fresca, meu estilo de vida é esse, rock n roll até o talo. Mas tenho tomado algumas precauções, talvez pela idade, talvez pelo meu assumido egoísmo que por onde passa deixa suas marcas. Mas eu não sou um cara de ir embora antes da conta chegar, daqueles que vazam sem nem se despedir dos garçons.

 

 

 

Escrito por Régis às 11:46 AM
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12/02/2007


 

 

Eu não acredito em nada que tenha tudo pra dar certo.

E quando algumas coisas ficam fora da ordem,

sigo o sábio conselho de Chico:

uma cerveja antes do almoço é muito bom pra ficar pensando melhor.

Escrito por Régis às 1:03 PM
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