TRANSEUNTES, ABISMOS GIGANTES E OS PRIMEIROS RAIOS DE SOL DEPOIS QUE O UÍSQUE ACABOU
Chega um momento que a força falta, e antes que você agonize em praça pública o melhor mesmo é sentar no meio fio da calçada e esperar o dia nascer com um cigarro entre os dedos. E eu, que até tento caminhar tranqüilo como uma melodia de Chet Baker acabo sempre tropeçando nos próprios passos, ensandecido como um solo de Jimi Hendrix. É a vida. É a minha vida, é desse jeito que eu vivo. Ok. Ok. Eu sei que não tenho vocação pra auto-indulgência, mas eu posso pelo menos ficar de pé? “As coisas são como são”, foi o que me falou um amigo ontem na Praça Roosevelt? As coisas são como são? Espera aí, eu até brinco de roleta russa e tal, mas não pode ser só isso. Acho uma definição por completo simplista para o gigantismo do estado de coisas nas quais eu me meti. Se as coisas são como têm que ser, então o resto são souvenirs? Ta, me conta outra que eu volto antes do bar fechar.

Numa época em que as noites eram mais calmas e o sono mais tranquilo


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