Notas do Trovão


26/07/2007


 

NUM BAR D’AUGUSTA

 

ou

 

QUANDO EU TENHO SAUDADES DAS MINHAS BOLAS DE GUDE.

 

   

 

Fogo brando em poesia quente.

Um pouco de alguma coisa no vazio das noites que se repetem.

Mulheres falsas, machos de salto. Meninas descalças.

Nariz jorrando pó de giz na madrugada que se estende sob o sol a pino

Um gosto de sangue na boca travada pelos dentes cerrados

Se revela nas mãos suadas e no “copus tremulus

 

A junk box toca pela oitava vez, no volume máximo, a mesma música

Muito pior que os gritos histéricos das putas na calçada pela féria evaporada com a bruma da noite que se esfacela

E agora só resta a angustia raivosa que a sensação de sonhos diluídos em carreiras destruídas traz

 

Lá fora vira-latas correm assustados. Outros engravatados também

Com o rabo entre as pernas. Todos assustados, sempre atrasados

Em busca do deus que é o senhor supremo das soluções imediatas para as causas perdidas.

Me restam poucos trocados no bolso da calça esgarçada

Mesmo assim o garçom ainda vem a minha mesa e a porra da mesmo musica ainda massacrar meus ouvidos por mais algum tempo

Carcomendo “ad infinitum” a minha intenção já desintegrada de não ir embora

 

Nesse momento só há uma verdade escancarada que me fala:

Porque é que eu ainda estou aqui se quase sempre eu me sinto só,

Até mesmo quando não estou sozinho?

Já é hora de ir embora, preciso ir pra casa

Deixo pra trás meus últimos trocados

Algumas putas desoladas e os tribalistas que vão pra puta que pariu

Eu não sei namorar. Me falta ar e disposição pra tentar

 

  

(Régis Trovão)

Escrito por Régis às 9:45 AM
[ ] [ envie esta mensagem ]
Busca na Web: