NUM BAR D’AUGUSTA
ou
QUANDO EU TENHO SAUDADES DAS MINHAS BOLAS DE GUDE.
Fogo brando em poesia quente.
Um pouco de alguma coisa no vazio das noites que se repetem.
Mulheres falsas, machos de salto. Meninas descalças.
Nariz jorrando pó de giz na madrugada que se estende sob o sol a pino
Um gosto de sangue na boca travada pelos dentes cerrados
Se revela nas mãos suadas e no “copus tremulus”
A junk box toca pela oitava vez, no volume máximo, a mesma música
Muito pior que os gritos histéricos das putas na calçada pela féria evaporada com a bruma da noite que se esfacela
E agora só resta a angustia raivosa que a sensação de sonhos diluídos em carreiras destruídas traz
Lá fora vira-latas correm assustados. Outros engravatados também
Com o rabo entre as pernas. Todos assustados, sempre atrasados
Em busca do deus que é o senhor supremo das soluções imediatas para as causas perdidas.
Me restam poucos trocados no bolso da calça esgarçada
Mesmo assim o garçom ainda vem a minha mesa e a porra da mesmo musica ainda massacrar meus ouvidos por mais algum tempo
Carcomendo “ad infinitum” a minha intenção já desintegrada de não ir embora
Nesse momento só há uma verdade escancarada que me fala:
Porque é que eu ainda estou aqui se quase sempre eu me sinto só,
Até mesmo quando não estou sozinho?
Já é hora de ir embora, preciso ir pra casa
Deixo pra trás meus últimos trocados
Algumas putas desoladas e os tribalistas que vão pra puta que pariu
Eu não sei namorar. Me falta ar e disposição pra tentar
(Régis Trovão)


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