Notas do Trovão


12/09/2007


MANU CHAO. WORLD MUSIC E O CATATAU

 

 

 

O meu amigo e poetaço Marcelo Montenegro diz que o Rappa é o Cynar engarrafado. Eu digo que o Manu Chao é o bife acebolado.

 

Aí o, meu conterrâneo, Catatau, puta musico e lider da banda Cidadão Instigado, que eu até gosto, mesmo ele dizendo que uma de suas influências é o tal Manu Chao, me diz que o cara faz um tipo de musica universal. Musica Universal? Porra Catatau, pega leve. Na próxima você se esforça mais pra me explicar melhor que porra é essa de musica universal. Seria a tal da World Music? Pára, menos, né, cara? Melhor mesmo é eu voltar pro Morphine que fazia tempo que eu não ouvia. "Early to bed, realy to rise/ makes a man or woman/miss out on the night life.../One drink call it an early night"

 

Em tempo: Não me convide pra almoçar na sua casa se for bife acebolado. Não precisa nem ser de figado, por que ai eu corto relações de vez.

Escrito por Régis às 1:23 PM
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11/09/2007


Leiam abaixo o que falou o site Bacante sobre o espetáculo DELICADEZA.
 
 
 
Beverly Hills 90210
 
por Leca Perrechil
Fotos: Lenise Pinheiro/Divulgação.

Quando um playboy metido, folgado, que vive da grana do papai, te dá uma surra e humilha na frente dos outros, o que você faz?

a) pede ajuda pros amigos pra seqüestrar o dito-cujo;
b) droga a irmãzinha dele;
c) bota ele pelado e amarra numa mesa;
d) queima o cu do cara com cigarro;
e) obriga-o a chupar a irmã;
f) Todas as respostas anteriores.

Quem assinalou a alternativa "f" acertou. É isso o que acontece na peça Delicadeza, em cartaz no Espaço Satyros II, na Praça Roosevelt. O espetáculo retrata a vida de quatro jovens viciados em cocaína que fazem de tudo para sustentar o vício e não medem as conseqüências de seus atos. Um deles vive em um apartamento sustentado pelos pais, que não sabem que o rapaz largou a faculdade, e continuam enviando dinheiro para ele terminar os estudos. Apaixonada pelo garoto, a patricinha vivida por Luciana Caruso, vende suas botas, roupas e bolsas para comprar drogas para os dois, depois de ter sua mesada cortada. O terceiro jovem, apesar de também ser da alta sociedade, sofre todo tipo de preconceito por ser gay. Completam o grupo o único pobre da turma, que mora de favor no apartamento do primeiro.

A narrativa muda seu rumo quando o pobretão do grupo apanha de um fortão (como ele mesmo define), e planeja uma vingança com a ajuda dos, teoricamente, amigos. Assim, a turma seqüestra o tal cara forte e a irmã dele, e se vinga (na verdade, o grupo também rouba o dinheiro dos dois pra comprar drogas), como se estivesse fazendo algum tipo de justiça.

Para mostrar para a platéia como o playboy fortão era mesmo um filho-da-puta-que-merecia-sofrer-muito, ele protagoniza um discurso clichê, ao dizer que pode fazer qualquer coisa que não seria punido. Provavelmente essa é a mesma mentalidade dos rapazes que queimaram o índio ou daqueles outros que espancaram uma empregada doméstica, e alegaram ter confundido a moça com uma prostituta. Porém, essa característica dita explicitamente da boca do personagem, dá menos força à mensagem do que se fosse usado algum outro recurso cênico mais visual e não tão didático.

A grande ironia do texto vem da figura desses justiceiros-drogados. Eles se vingam do rapaz e de tudo de ruim que este representa, mas negligenciam o fato de serem como ele: filhinhos de papai, metidos e preconceituosos. Todos eles (tirando o que mora de favor) também fazem parte dessa crítica aos jovens da alta sociedade - sempre os donos da razão, sem compromissos e responsabilidades - que acham que podem fazer qualquer coisa, até punir brutalmente um "colega", sem serem atingidos. Essa crítica ganha força no discurso da patricinha, que chora na frente do pobretão, porque o pai não dá mais dinheiro, e ela enfrenta uma difícil situação sem poder mais comprar roupas de marca e nem seus sapatos que tanto gosta.

Se a desculpa para tanta brutalidade é "ele me atacou antes", "eu não bati, eu só olhei", ou "achei que o índio fosse um mendigo", imagina quantos cigarros acesos teríamos que usar pra corrigir isso se fossemos nos vingar também?

 

Só pra lembrar, o espetáculo DELICADEZA continua todas ás Quintas e Sextas, às 21:00 hs, no Espaço dos Satyros II, Praça Roosevelt, No. 134. Aparece lá.

Escrito por Régis às 1:23 PM
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11 DE SETEMBRO 

 

E saber que o 11 de Setembro americano foi só o começo do fim, uma polaroid gigantesca esfregando na nossa cara o fracasso explicito (e ignorado) da nossa civilização. Vários onzedesetembro acontecem todos os dias por aí. Das profundezas da zona leste ao extremo sul da zona sul de São Paulo, dos confins do ceará aos grotões de Garanhuns, das caatingas do piauí aos vilarejos ribeirinhos amazonenses. Caralho, acontece um onzedesetembro a cada minuto na floresta amazonica (nesse instante deve ter acabado de acontecer um) e logo logo os proprios americanos (que eu tenho que gostar, afinal, me deram o blues, o jazz e o rock n roll) vão se apossar da nossa floresta pra tentar impedir o nosso onze de setembro diario, que acontece há muitos e muitos anos. Todo dia acontece um onzedesetembro em algum lugar daqui. São Sandras que vão embora, Marisas que também deveriam estar aqui. É a trilha sonora do fim do mundo composta pelos mininin barrigudim do nordeste chorando de fome.

 

E as familias, pais, irmãos, amigos, como ficam? Com a dor e o vazio imenso da saudade? Apenas? E as mães? E as mães? Porra, só as mães são felizes? Não estou bem certo disso e até duvido do que realmente Cazuza tava querendo dizer. (Quem entendeu essa frase, por favor, se manifeste). Só sei que ninguém mais tem a noção, ou a dimensão das costas calejadas que uma mãe tem que carregar pra suportar o que só elas mesmas suportam. Marias, Silvias, Dilmas, Zildas, Graces, Rosangelas, Americas, Brasilias, mães, mães, mães...

 

A humanidade é uma invenção que não deu certo e o mundo, não como se apresenta, mas como ele realmente é, é uma gravura borrada de algum pintor amador, de algum filha-da-puta que só sabe usar cinza, preto e azul. Só. Sem ao menos ter um "tiquinho" do talento do Carcarah.

 

A Metrópole pelos traços do meu amigo Carlos Carcarah

Escrito por Régis às 12:20 PM
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10/09/2007


TARDE DE SEGUNDA. JIMI HENDRIX E DYLAN THOMAS DE PRIMEIRA

(Nao sei porquê, mas parte deste texto só pôde ser publiciado na cor vermelha)

 

 

Eu não costumo pedir perdão para os meus delitos. E os pecados são todos seus, já dizia minha mãe. Quero é amanhecer o dia com os olhos vermelhos bem abertos, e se possível com um cigarro entre os dedos e um copo na mão, transbordando de alguma coisa forte que preceda toda e qualquer emoção, seja ela de que tamanho for. Certamente nesse horário meus amigos estarão comigo. Sempre estão. Sempre atentos, dormindo ou não. E esse papo de CANSEI já ta me cansando o saco (só pra combinar, um trocadilho barato). Tenho disposição de sobra, coragem pra brigar se for preciso e calma o bastante pra apaziguar os ânimos dos amigos que de vez em quando ficam mais exaltados.  E nessa segunda – feira de calmaria, “meio calabreza, meio muzzarela”, nada como um Dylan Thomas, uma dose de rum e esse cara aqui embaixo, que é melhor que qualquer segunda feira, é melhor que qualquer dia como esse.

 

Vai lá mestre, melhora o dia:

 

 http://www.youtube.com/watch?v=je9O-VdrZ0E

 

Jimi Hendrix mostrando aí em cima o que se deve fazer quando se está bem acompanhado e abaixo Dylan Thomas fazendo muito, muito mais que sopa de letrilhas:

 

     

ESTE LADO DA VERDADE

Para Llewlyn

Este lado da verdade,
Meu filho, tu não podes ver,
Rei de teus olhos azuis
No país que cega a tua juventude,
Que está todo por fazer,
Sob os céus indiferentes
Da culpa e da inocência
Antes que tentes um único gesto
Com a cabeça e o coração,
Tudo estará reunido e disperso
Nas trevas tortuosas
Como o pó dos mortos.

O bom e o mau, duas maneiras
De caminhar em tua morte
Entre as triturantes ondas do mar,
Rei de teu coração nos dias cegos,
Se dissipam com a respiração,
Vão chorando através de ti e de mim

 

 

(tradução: Ivan Junqueira)

 

Escrito por Régis às 4:52 PM
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