Notas do Trovão


17/10/2007


DO RESCALDO DA SATYRIANAS ou duas ou três coisas que preciso registrar aqui.

 

A morte de Paulo Autran, que um dia disse, no alto de sua serenidade e lucidez absoluta:

 

Não tenho certezas. Nunca fui um homem de certezas. Nunca tive certeza a respeito de coisa nenhuma. Não há posição melhor na vida do que a da duvida”.

 

Quanto as Satyrianas, agora é fato que esse evento, quase um ato-manifesto, deve logo entrar no calendário cultural oficial da cidade (poder publico, vê se acorda) foi uma verdadeira “micareta cultural”, só faltou peça em cima de trio elétrico. O Rodolfo, o Ivam e toda a equipe organizaradora se superaram.

 

E o nosso “...Bolero” foi do caralho. Ainda estou me perguntando, será que todo aquele povo na tenda e quase a sua totalidade ovacionando os meninos no final eram todos amigos? Será?  O melhor de tudo foi ver a cara de satisfação do João Fábio e a do elenco quando varias pessoas vieram falar com a gente após a peça. Pena que não deu pra trocar idéia com a rapaziada teria sido legal, pelo pouco que deu pra ouvir eles tavam querendo saber coisas sobre o texto, sobre a montagem, coisas como “quais as referências usadas para aquele tipo de montagem” , etc, etc, teria sido legal sentir o “reverber” do publico, (isso sempre é bom) pena mesmo que tive que sair  ás pressas para fazer o velho Lanca, que foi do caralho, e não poderia ser diferente.

 

Valeu Guizé, Carol e Gustavo vocês foram heróicos e loucos por se arriscarem tanto. Já comentei pra algumas pessoas, aquilo não é espetáculo para dois ensaios, vide a pretensão minha/nossa de fazer algo anti-Stanislavski, anti-realista, quase expressionista, no limbo entre o consciente e inconsciente. A gente foi mesmo muito doido.  Porra, e lembrar que esses dois ensaios, um foi na sala da minha casa, outro no Juk Joint (valeu Flavinho), os dois sem poder usar trilha ou luz, sem porra nenhuma, só a nossa vontade de fazer um trampo bacana. Valeu mesmo.

 

Agora preciso descansar um pouco, pôr a minha leitura em dia, afinal, nunca trabalhei tanto, além de todas essas peças, ainda dirigi os meninos,(Thiago Duran e Eduardo Metring) num texto de um amigo do Ivan, chamado Sem Gelo, do Zen Sales. Era um texto que nem eles mesmo esperavam nada, pelo horario da apresentação (5 da manhã) pela quantida de ensaio (um, sim, um, na sala do apto. do Thiago logo após a minha apresentação com Chorinho) e pelo texto que não era muito de nosso agrado. Mas os meninos foram honestos, se dedicaram, fui lá, ajudei no que eu podia (com o pouco sabia) e eles fizeram, e não é que o publico gostou. As coisas feitas com autenticidade e honestidade são sempre recompensadas, com aplausos ou com sono tranquilo. Eu acredito nisso. E eu quero sempre ao menos ter um sono tranquilo.  

 

Parece que o marido da Carol gravou nossa apresentação do "...Bolero", vou ver com ele e posto aqui, vai ser legal pra quem não viu, ao menos terá uma idéia de como foi a parada.

Escrito por Régis às 1:14 PM
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